“Tudo está interligado” [LS 02], disse o pontífice diversas vezes em sua encíclica ambiental “Laudato Si’”. Tudo está conectado, junto, comunicam-se pela fé, pela religião, pelo social. Nosso planeta é a nossa Casa Comum. Nossa Casa está doente, malcuidada e pede socorro. A Cura, todos nós conhecemos e temos acesso a ela. Então por que a ação não acontece?

cuidado casa comum

Uma ação em Comum, ou seja, uma Comunicação que liberta, que cura e que cuide de cada um de nós necessita de uma redescoberta, uma verdadeira comunicação e um pouco de formação ajudaria a relembrar. O esquema conceitual, da maioria dos estudiosos desenvolve na linha comunicacional o seguinte resumo:

EMISSOR –> CANAL –> MENSAGEM –> CÓDIGO –> RECEPTOR –> FEEDBACK

Na maioria das vezes, quando maltratados o irmão, destruímos nossa casa. A comunicação se desfaz porque o esquema social é deturpado em nossas relações, seja de modo oral, seja de modo gestual. Quando o papa destina um documento alertando-nos sobre o descuido com o meio ambiente, ele nos convida a refletir sobre nossas ações, sobretudo ações pastorais, e reavaliar nossos atos.

Vamos refletir? Acompanhe o artigo:

Em nossas comunidades cristãs como é visto o uso de material impresso em nossas catequeses e reuniões? Em nossas pastorais, como estamos nos dispondo dos usos tecnológicos como celulares, câmeras digitais, datashow…? E o nosso lixo? O que estamos descartando? Existem possibilidades de reduzir ou reaproveitar aquele material que nossas igrejas estão descartando? E estamos reduzindo? Estamos reaproveitando? As PasCom’s também têm sua missão de cuidar da Casa Comum, pois uma comunicação malfeita gera o mal, fere o irmão e dizima a natureza.

casa comum dom do pai

A Campanha da Fraternidade de 2016 é ecumênica. Impulsiona-nos a comunicar o cuidado da Casa Comum a todos, a outras denominações religiosas. Somos responsáveis por nossa cidade como nos mostra o Texto-Base da CFE: “Pelo Batismo, somos chamados a viver como uma grande família, onde as discriminações e preconceitos sejam superados: aí não há mais grego nem judeu, circunciso e incircunciso, bárbaro, cita, escravo, homem livre, mas Cristo: Ele é tudo e está em todos [Cl 3,11]… Portanto, o interesse em garantir direitos humanos é uma parte importante de nossos deveres como discípulos e discípulas de Cristo” [TB, 149]. Num dos versos do hino oficial diz o seguinte: “justiça e paz, saúde e amor têm pressa, mas, não te esqueças, há uma condição: o saneamento de um lugar começa por sanear o próprio coração”. Sanear, quer dizer, curar, sarar. Precisamos sarar o nosso coração, tirar dele toda impureza, poluição, lixo, sentimentos ruins… Só conseguimos cuidar do que está fora se antes cuidarmos do que é interno a nós. A mudança verdadeira nasce de dentro de nós, de nossa profunda conversão pessoal. É incoerente tentarmos mudar a sociedade se antes nós não olharmos para dentro de nós e mudar as nossas atitudes.

Curar o coração: essa é a máxima maior! “Quando os seres humanos destroem a biodiversidade na criação de Deus comprometem a integridade da terra… quando os seres humanos contaminam as águas, o solo, o ar… tudo isso é pecado. Porque um crime contra a natureza é um crime contra nós mesmos e um pecado contra Deus” [LS, 08]. No esquema sociológico quem surge primeiro é o Emissor, ou seja, o sujeito que fala, que comunica a mensagem. Essa conversão ecológica que o Francisco propõe deve partir deste sujeito, homens e mulheres cristãos que anunciam a palavra, só assim construiremos uma comunicação que cure a Casa Comum. Que nós, animadores de comunidades e pastorais tenhamos fé verdadeira e confiança na comunidade, confiar que a Igreja é cada um de nós e, que juntos, numa só fé podemos transformar a sociedade.

coracaonatureza

One thought on “Por uma Comunicação que Cure a Casa Comum

  1. Parabéns!
    Excelente reflexão para hoje, 05 de junho até os fins dos tempos, quando comemoramos o Dia Mundial do Meio Ambiente, destacando o seguinte questionamento:
    Vamos refletir? Acompanhe o artigo:

    “Em nossas comunidades cristãs como é visto o uso de material impresso em nossas catequeses e reuniões? Em nossas pastorais, como estamos nos dispondo dos usos tecnológicos como celulares, câmeras digitais, datashow…? E o nosso lixo? O que estamos descartando? Existem possibilidades de reduzir ou reaproveitar aquele material que nossas igrejas estão descartando? E estamos reduzindo? Estamos reaproveitando? As PasCom’s também têm sua missão de cuidar da Casa Comum, pois uma comunicação malfeita gera o mal, fere o irmão e dizima a natureza”.

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