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Os sacramentos são grandes exorcismos, afirma autoridade vaticana

Eucaristia / Foto: Pixabay (Domínio Público)

VATICANO, 16 Mar. 17 / 08:00 am (ACI).- Em uma recente entrevista, o Cardeal Mauro Piacenza, Penitenciário Mor da Santa Sé, afirmou que “todos os sacramentos são ‘grandes exorcismos’”.

Em diálogo com ACI Stampa, agência italiana do Grupo ACI, o Cardeal Piacenza disse que “a confissão e a Sagrada Comunhão sempre têm um valor extraordinário capaz de renovar o homem, mas celebrados na Páscoa têm um valor espiritual e litúrgico objetivamente mais evidente e, se me permite, também valor de exorcismo”.

Para explicar esta afirmação, o Purpurado indicou que “todos os sacramentos também são ‘grandes exorcismos’. Assim, dogmaticamente, tanto os exorcismos como as bênçãos são sacramentais que têm vigor somente a partir dos sete sacramentos, sinais eficazes instituídos por Cristo, de maneira direta ou através dos Apóstolos, para prolongar a sua presença salvífica através da Igreja até o fim da história”.

“O pecado mortal é sempre uma escravidão e, cada vez que o sacerdote pronuncia a fórmula da absolvição, o fiel é libertado das garras do mal e reintroduzido na plena comunhão com a vida trinitária”, ressaltou.

Em seguida, o Cardeal sublinhou que “a confissão sacramental é o único e verdadeiro ponto de reinício para cada um de nós. Em qualquer confissão o batizado é renovado interiormente e a sua vida espiritual começa novamente, com todos os dons infinitos da graça que o sacramento possui”.

Este sacramento, continuou, “nos dias sagrados do Tríduo Pascal age potentemente com a sua graça e o diabo também é potentemente derrotado de novo”.

Consciente disso, a Igreja convida a “cumprir alguns exercícios de piedade durante a Quaresma, especialmente nas sextas-feiras, dia da Paixão do Senhor. Estes gestos, além de ser verdadeiros e sustentar a alma no frenético caminho dos nossos dias, têm a capacidade de expressar a fé e de favorecer a empatia, também afetiva, com os acontecimentos históricos da salvação e com os mistérios que acreditamos”.

O Cardeal Piacenza disse que “o jejum, que envolve o corpo, a Via Sacra, que convida a caminhar nas pegadas do Senhor, o silêncio, que permite ao coração ouvir realmente, são todos possíveis gestos quaresmais que sustentam o ato concreto de fé e que corroboram a sua objetividade”.

O Penitenciário Mor também assinalou que “estes são gestos que favorecem ou nutrem uma atitude de profunda humildade, tão necessária para o homem moderno, vítima do tecno-cientificismo, e, em todo caso, para alguém que pedir perdão pelos seus pecados e se aproximar a celebrar o triunfo de Cristo sobre o mal e sobre a morte”.

As práticas devocionais da Quaresma, como o jejum, a abstinência, a mortificação, a esmola e a oração, concluiu o Cardeal, “são gestos simples de amor, possíveis para todos, que dizem muito da nossa fé. E todo grande amor se alimenta de pequenos gestos. São carícias para Jesus crucificado”.

http://www.acidigital.com/noticias/os-sacramentos-sao-grandes-exorcismos-afirma-autoridade-vaticana-39800/

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24 horas para o Senhor: Uma oportunidade para se abrir à misericórdia de Deus

Cartaz oficial. Foto. Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização
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Papa envia mensagem para a CF 2017: “O criador foi pródigo com o Brasil”

 

Cidade do Vaticano (RV) – A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) abre oficialmente, nesta Quarta-feira de Cinzas, dia primeiro de março, a Campanha da Fraternidade 2017 (CF 2017).  O tema  da Campanha: “Fraternidade: biomas brasileiros e a defesa da vida”,O lançamento foi na sede da entidade, em Brasília (DF).

A campanha, que tem como lema “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2.15), alerta para o cuidado da Casa Comum, de modo especial dos biomas brasileiros. Segundo o bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da CNBB, Dom Leonardo Ulrich Steiner, a proposta é dar ênfase à diversidade de cada bioma e criar relações respeitosas com a vida e a cultura dos povos que neles habitam, especialmente à luz do Evangelho. Para ele, a depredação dos biomas é a manifestação da crise ecológica que pede uma profunda conversão interior. “Ao meditarmos e rezarmos os biomas e as pessoas que neles vivem, sejamos conduzidos à vida nova”, afirma.

O Papa Francisco enviou uma mensagem por ocasião da abertura da Campanha da Fraternidade 2017. Eis a íntegra do texto:

Queridos irmãos e irmãs do Brasil!

Desejo me unir a vocês na Campanha da Fraternidade que, neste ano de 2017, tem como tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”, lhes animando a ampliar a consciência de que o desafio global, pelo qual toda a humanidade passa, exige o envolvimento de cada pessoa juntamente com a atuação de cada comunidade local, como aliás enfatizei em diversos pontos na Encíclica Laudato Si’, sobre o cuidado de nossa casa comum.

O criador foi pródigo com o Brasil. Concedeu-lhe uma diversidade de biomas que lhe confere extraordinária beleza. Mas, infelizmente, os sinais da agressão à criação e da degradação da natureza também estão presentes. Entre vocês, a Igreja tem sido uma voz profética no respeito e no cuidado com o meio ambiente e com os pobres. Não apenas tem chamado a atenção para os desafios e problemas ecológicos, como tem apontado suas causas e, principalmente, tem apontado caminhos para a sua superação. Entre tantas iniciativas e ações, me apraz recordar que já em 1979, a Campanha da Fraternidade que teve por tema “Por um mundo mais humano” assumiu o lema: “Preserve o que é de todos”. Assim, já naquele ano a CNBB apresentava à sociedade brasileira sua preocupação com as questões ambientais e com o comportamento humano com relação aos dons da criação.

O objetivo da Campanha da Fraternidade deste ano, inspirado na passagem do Livro do Gênesis (cf. Gn 2,15), é cuidar da criação, de modo especial dos biomas brasileiros, dons de Deus, e promover relações fraternas com a vida e a cultura dos povos, à luz do Evangelho. Como “não podemos deixar de considerar os efeitos da degradação ambiental, do modelo atual de desenvolvimento e da cultura do descarte sobre a vida das pessoas” (LS, 43), esta Campanha convida a contemplar, admirar, agradecer e respeitar a diversidade natural que se manifesta nos diversos biomas do Brasil – um verdadeiro dom de Deus – através da promoção de relações respeitosas com a vida e a cultura dos povos que neles vivem. Este é, precisamente, um dos maiores desafios em todas as partes da terra, até porque as degradações do ambiente são sempre acompanhadas pelas injustiças sociais.

Os povos originários de cada bioma ou que tradicionalmente neles vivem nos oferecem um exemplo claro de como a convivência com a criação pode ser respeitosa, portadora de plenitude e misericordiosa. Por isso, é necessário conhecer e aprender com esses povos e suas relações com a natureza. Assim, será possível encontrar um modelo de sustentabilidade que possa ser uma alternativa ao afã desenfreado pelo lucro que exaure os recursos naturais e agride a dignidade dos pobres.

Todos os anos, a Campanha da Fraternidade acontece no tempo forte da Quaresma. Trata-se de um convite a viver com mais consciência e determinação a espiritualidade pascal. A comunhão na Páscoa de Jesus Cristo é capaz de suscitar a conversão permanente e integral, que é, ao mesmo tempo, pessoal, comunitária, social e ecológica. Reafirmo, assim, o que recordei por ocasião do Ano santo Extraordinário: a misericórdia exige “restituir dignidade àqueles que dela se viram privados” (Misericordia vultus, 16). Uma pessoa de fé que celebra na Páscoa a vitória da vida sobre a morte, ao tomar consciência da situação de agressão à criação de Deus em cada um dos biomas brasileiros, não poderá ficar indiferente.

Desejo a todos uma fecunda caminhada quaresmal e peço a Deus que a Campanha da Fraternidade 2017 atinja seus objetivos. Invocando a companhia e a proteção de Nossa Senhora Aparecida sobre todo o povo brasileiro, particularmente neste Ano mariano, concedo uma especial Bênção Apostólica e peço que não deixem de rezar por mim.

 

Vaticano, 15 de fevereiro de 2017.

 

[Franciscus PP.]

 

http://bit.ly/2lwdmUj